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Mesmo sem a China, exportações de frango do RS voltam a crescer em janeiro
09/02/2026
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Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal apontam 58,7 mil toneladas embarcadas no mês, alta de 0,75%
A China ainda nem entrou na conta — e, mesmo assim, as exportações de carne de frango do Rio Grande do Sul já dão sinais de reação. Em janeiro, os embarques somaram 58,7 mil toneladas, crescimento de 0,75% em relação ao mesmo mês de 2025. Em valor, o avanço foi mais robusto: US$ 109,3 milhões, alta de 4,2%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (6) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
O desempenho antecede o efeito do principal mercado importador de todo o Brasil, que retomou as compras do Estado há cerca de duas semanas e só deve aparecer nas estatísticas nos próximos meses. A China mantinha, desde julho de 2024, um embargo relacionado à detecção de um foco da doença de Newcastle em Anta Gorda, no Vale do Taquari.
A explicação está em uma combinação de estratégia, agilidade e demanda, segundo o presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos:
— Houve todo um processo de reabertura, de retomada das negociações e de reativação das operações comerciais. O reflexo da China vamos sentir a partir de fevereiro.
No entanto, o crescimento, continua o dirigente, já vinha sendo desenhado desde o fim do ano passado. Após a crise provocada pela influenza aviária, detectada em maio de 2025, o setor redirecionou vendas, buscou novos destinos e conseguiu manter compradores que passaram a importar com mais regularidade.
— O setor foi ágil em buscar soluções, redirecionou para outros mercados e mostrou uma capacidade de fidelização importante. Além disso, a demanda global por proteína segue em crescimento — resume Santos.
Em 2025, o Rio Grande do Sul registrou queda de apenas 0,77% nas exportações de frango em relação a 2024 — um número distante das projeções mais pessimistas feitas no auge das restrições, quando se falava em retração de até 10%.
Outros dados
A carne suína também começou o ano com desempenho robusto. Em janeiro, o Estado exportou 29,02 mil toneladas, alta de 34,4% sobre o mesmo período do ano passado. A receita avançou ainda mais: US$ 64,9 milhões, crescimento de 45,6%. O movimento reflete a mesma lógica observada no frango: menor dependência da China e maior presença em mercados alternativos, especialmente na Ásia e na América Latina.
No cenário nacional, janeiro foi marcado por recordes nas duas proteínas. As exportações brasileiras de carne de frango alcançaram 459 mil toneladas, com receita de US$ 874,2 milhões — o melhor resultado já registrado para o mês. A carne suína também bateu recorde, com 116,3 mil toneladas embarcadas e faturamento de US$ 270,2 milhões. Mesmo com retração nas compras chinesas, países como Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Japão e mercados da União Europeia sustentaram o ritmo dos embarques.
Fonte: GZH
Créditos de imagens:Banco de imagens ASGAV





